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Greve da função pública atinge 85 por cento de adesão no distrito
A greve da função pública convocada pelos vários sindicatos afectos à CGTP e à UGT atingiu cerca de 85 por cento de adesão no distrito, paralisando, “com especial incidência”, as escolas, as consultas de centros de saúde e de hospitais, as repartições das finanças, a segurança social, algumas juntas de freguesias e as 13 câmaras municipais do distrito. Paula Bravo, do Sindicato dos Trabalhadores da Função Pública, Sul e Açores, considera que a adesão à greve “foi bastante boa”, uma vez que representa “o sentimento dos vários funcionários públicos, que decidiram dizer basta e chega às medidas de austeridade anunciadas pelo Governo”, que prevêem, entre outras, o congelamento dos salários e a alteração das regras de cálculo das pensões.
A decisão do Governo de congelar os salários é vista pela sindicalista como “algo verdadeiramente preocupante”, uma vez que agrava as situações de alguns trabalhadores “que vivem anos a fio com um salário que não vai além dos 500 euros”. “Desde o ano de 2000 que a função pública tem vindo a perder poder de compra, com salários abaixo da inflação”, alerta Paula Bravo, reiterando que o congelamento dos salários “não pode ir até 2013, de modo a que o Governo cumpra a tarefa de redução do défice de 9 para os 3 por cento”.
A dirigente sindical explica, de igual modo, que a pretensão do Governo de mudar as regras de cálculo das pensões, no “sentido da penalização, são um imenso retrocesso”, especialmente depois de ter existido uma negociação com os vários sindicatos que manteria “intacto um modelo de transição até ao ano de 2013”. “Os trabalhadores têm agora de repensar no seu futuro, depois de saberem das reais intenções governamentais”, salienta. A alteração, presente no Orçamento do Estado para 2010, faz com que o cálculo da contagem da carreira deixe de ter como referência o último ano de serviço do funcionário público, parando apenas em Dezembro de 2005, “quando os vencimentos, já baixos na altura, ainda eram mais inferiores aos actuais”.
“Com essa medida, o Estado prepara-se para poupar cerca de 28 milhões de euros neste ano, e 300 milhões até 2013”, enfatiza Paula Bravo, lamentando que, “depois de se pedir mais sacrifício aos trabalhadores, o Estado lhes pague com menos resultados e com mais retrocessos”. A discussão em torno da progressão na carreira pública e a precariedade laboral são temas que também instigaram os vários sindicatos a aderir a esta greve da função pública, a primeira que convergiu várias organizações sindicais desde o ano de 2007, altura em que contestavam o aumento salarial proposto pelo Governo de 2,1 por cento.
Fonte: Setúbal na Rede
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